Biografia

JEAN MICHEL JARRE

Nome completo: Jean Michel André Jarre
Origem: Perrache, Lyon – França
Nascimento: 24 de agosto de 1948
Signo zodiacal: Virgem

Introdução

Jean Michel Jarre, conhecido no Brasil como “Mago dos Teclados”, é um dos maiores músicos eletrônicos de vanguarda. Estima-se que tenha vendido até hoje, mais de 80 milhões de discos em todo o mundo.

De uma família voltada para a música, seu avô, André Jarre, foi um músico de Oboé, engenheiro musical e após a Segunda Guerra Mundial, um dos inventores da mesa de som e do pick-up musical na França reconstruída do pós-guerra. Seu pai, Maurice Jarre, foi um dos principais compositores do cinema contemporâneo, ganhador de dois Oscars de melhor trilha sonora. Maurice era o compositor favorito do cineasta inglês David Lean, tendo participado da composição de seus principais filmes como “Lawrence da Arábia”, “Dr. Jivago” e “A Filha de Ryan”.

Do nascimento aos primeiros acordes

Jarre com 5 anos
Jarre com 5 anos

Tudo começa em 24 de agosto de 1948, quando nasce Jean Michel Jarre. Apesar de ser filho de Maurice Jarre, Jean Michel foi criado por sua mãe, France Pejot, uma antiga militante da Resistência Francesa, pois seu pai separou-se da família em 1953 e foi viver nos EUA (Maurice casou-se novamente e teve uma filha americana de nome Stéphanie Jarre).

O jovem Jean começou a estudar piano com 5 anos de idade. Ainda pequeno, foi morar com a mãe na capital francesa e começou a estudar música clássica no “Conservatório de Paris”, no mesmo lugar onde seu pai também tinha começado. Por volta de 1957, seu professor de piano mudou-se e sua nova professora, Jeannine Rueff, deu um novo incentivo para o seu jovem aluno. Em Paris, Jarre estudou no Colégio Lycee Michelet (Ensino Médio) nos subúrbios da cidade.

Início da carreira

Aos 18 anos
Aos 18 anos

Em 1958, durante seu 10° aniversário, Jarre é levado junto com uma amiga de sua mãe à uma das melhores casas de Jazz de Paris, um pequeno clube chamado “Le Chat-qui-Peche”. Lá, o pequeno Jean Michel assiste à apresentação do famoso jazzista Chet Baker, rodeado por outros músicos, por toda a noite.

Em 1964, Jarre após assistir a banda “Danny Logan & The Pirates”, montou na escola o seu primeiro grupo, o “Mystères IV”. Em 1967, Jarre, montou uma nova banda, “The Dustbins”, que tocou em vários lugares da França, como a Normandia e fizeram uma pequena ponta no filme “Des Garçons Et Des Filles” (1968). A banda ganhou o primeiro lugar em um festival musical de Paris e chegaram a gravar um single.

Em 1968, Jarre terminou sua tese em literatura comparativa intitulada “The Faust Of Literature and Music” com ênfase principal em Goethe e Berlioz. Neste ano, Jarre esteve presente nas passeatas do movimento estudantil, de maio de 1968, que parou a França durante quase um mês. Ele chegou a ser preso pela polícia com um grupo de estudantes e colocados em uma viatura policial. Por sorte, a viatura não estava trancada e todos puderam fugir. Logo depois, à noite, todos assistiram à fuga pela televisão. Após isto, Jarre abandonou o “Conservatório de Música de Paris” e se encontrou com o homem que iria mudar sua visão para a música e tecnologia: Pierre Schaeffer.

Os primeiros trabalhos

Jarre com 20 anos
Jarre com 20 anos

Foi aluno de Pierre Schaeffer, “Pai Da Música Concreta” e um dos pioneiros nas técnicas eletroacústicas musicais em um grupo intitulado “GRM” (Group de Recherches Musicales  – Grupo de Pesquisas Musicais) em 1968. No GRM, Jarre aprendeu a trabalhar com gravações eletroacústicas, música concreta e técnicas de colagem musical. Foi ainda no GRM que ele gravou a faixa “Happiness is a Sad Song”, para o Maison de Culture (essa gravação só foi lançada em 2011 na coletânea “Essentials & Rarities”).

No ano seguinte, ainda pelo GRM, Jarre gravou um single com as faixas “La Cage” e “Erosmachine”. O single só seria lançado em 1971, ano em que Jarre abandonaria o GRM, por divergências internas. Segundo as palavras de Jarre, “no GRM. fazia-se musica para o cérebro ao invés do coração, então eu deixei o grupo”.

Após a saída de Jarre do GRM, ele passa a trabalhar em vários outros projetos, cria música eletrônica para o grupo “Triangle” e é também comissionado pela Ópera de Paris para escrever musicas para o Balé Aor. Foi um dos primeiros músicos a introduzir música eletrônica naquele recinto e também o mais jovem a tocar na Ópera. Para o Balé Aor (“luz” em hebreu), Jarre compôs um pedaço para cada uma das sete cores do arco-íris. Esta performance foi coreografada por Norman Schmucki.

Jarre (o primeiro da esquerda para a direita), durante o balé Aor

Em 1972, Jarre passa a trabalhar como free-lancer, produzindo outros artistas, criando jingles comerciais e lançando singles como Pop Corn e Zig Zag Dance. Acaba encontrando Francis Dreyfus que pede a ele para produzir músicas que serão tocadas em Aeroportos e Bibliotecas nos EUA. Jarre que estava começando sua carreira, grava várias faixas musicais para uma companhia de filmes americanos. O álbum foi destinado ao uso em programas de televisão, anúncios e filmes. Essas faixas foram reunidas num álbum que recebeu o nome de “Deserted Palace” e foi lançado na França e nos EUA (talvez o primeiro trabalho para os americanos), onde foi definido como algo ainda experimental. No ano seguinte, Jarre foi o responsável pela trilha sonora do filme francês “Les Granges Brûlées” estrelado pelo ator Alan Delon e pela atriz Simmone Signoret, também lançado em LP. O lançamento deste álbum, segundo Jarre, teve pouca repercussão, sendo que as vendas maiores ocorreram na própria rua onde morava, quando os vizinhos compraram o disco para ajudá-lo.

Em 1974, Jarre conhece Michel Geiss, que futuramente fará parte de sua equipe e criará os instrumentos Matri-Sequencer e o Digi Sequencer. Como produtor musical, trabalha com Françoise Hardy, Patrick Juvet, Gérard Lenorman e Christophe, produzindo seus discos, e em alguns casos trabalhando na composição sonora e também das letras. Quando estava trabalhando no álbum de Christophe, “Les Mots Bleus”, Jean-Michel, conheceu os músicos Dominique Pierre e Roger Rizzitelli, que mais tarde seriam membros de sua “Le Tribe”.

Oxygene, a revolução musical eletrônica

Francis Dreyfus e Jean Michel Jarre
Francis Dreyfus e Jean Michel Jarre

Em 1976, Jarre conhece Charlotte Rampling, sua futura mulher, durante o festival de Cannes, daquele ano, que provou ser o melhor ano da sua carreira até então. Compõe, grava e lança o álbum “Oxygene”, que teve boa aceitação do público francês e mais tarde do mundial. Quando Jarre ainda estava preparando o álbum, ele foi rejeitado por várias gravadoras até encontrar a pequena gravadora independente, Disques Motors (futura Disques Dreyfus), que passou a ser a gravadora ao longo de sua carreira. Francis Dreyfus passou então a controlar a carreira do seu novo pupilo, como produtor de Jean Michel. Ainda em 1976, recebe vários prêmios como ‘Grand Prix Du Disques’ da Charles Cros Academy.

Em 1977, a Polydor licencia Oxygene e todos os outros futuros discos para serem lançados no mercado internacional. Oxygene atinge o número 1 dos mais vendidos no Reino Unido em 1977. Estima-se que tenha vendido, mais de 12 milhões de cópias do álbum pelo mundo. A revista americana “People” coloca Jarre como uma das personalidades do ano.

Nunca vi nada como isto

Jarre aos 29 anos
Jarre aos 29 anos

Em 1978, é a vez do seu segundo trabalho, “Equinoxe”, que foi sucesso não só na França, mas em todo mundo, conquistando vários prêmios e discos de ouro ao redor do planeta. Uma estimativa de venda de mais de 8 milhões de cópias. Muitos consideram este álbum como o melhor da carreira do artista. Equinoxe ainda é usado para a trilha sonora do filme “La Maladie de Hambourg” (The Illness Of Hamburg).

Em outubro do mesmo ano, Jarre se casa com Charlotte. Em 14 de Julho de 1979, no 190° Aniversário da Revolução Francesa, faz seu primeiro grande concerto ao ar livre, tendo o álbum Equinoxe como carro-chefe, na Place de la Concorde, em Paris, batendo recorde de publico em um evento ao ar livre. Mick Jagger, maravilhado após o concerto disse espantado: “Eu nunca vi nada como isto em toda minha vida”. Jagger chegou até a convidar Jarre a produzir um disco dos Rolling Stones, mas Jean Michel não aceitou. Aproximadamente mais de um milhão de pessoas assistiram o show ao vivo que foi transmitido para toda a Europa pelo canal Eurovision e também para o Japão.

Jarre já se projetava mundialmente. Viaja para o Japão e China em visitas promocionais, procurando locais para novos concertos (o governo japonês chegou a oferecer um milhão de dólares para Jarre repetir o concerto de La Concorde em Tóquio). Oxygene é usado como trilha-sonora para o Ballet da Opera House de Paris.

Em 1979, Jarre recebe uma medalha de ouro do Ministério da França, pela vendagem mundial de seus discos. Algumas faixas dos discos “Oxygene” são usadas pelo diretor australiano Peter Weir, no filme “Gallipoli” com Mel Gibson. Os anos 80 chegam abrindo uma nova era na música com o surgimento de novas tecnologias, como o MIDI, o uso dos computadores nas composições e também da Tecnologia Digital com o aparecimento dos CDs e DATs. Um prato cheio para a exploração de novas tendências.

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