“A DOENÇA DE HAMBURGO”: FILME DE 1979 COM TRILHA SONORA DE JARRE, FAZ LEMBRAR A PANDEMIA DO CORONAVÍRUS

É assustador! Um vírus que ninguém conhece ataca em Hamburgo, na Alemanha. Pessoas adoecem, morrem. Todos aqueles que estiveram em contato com elas, mesmo que sejam suspeitos, são colocados em estrita quarentena. E há cada vez mais pessoas. A mídia fala da “doença de Hamburgo”. A cidade fecha suas portas. As pessoas fogem rumo ao sul, chegando em Luneburgo, mas a cidade já está selada. Qualquer semelhança com a atual pandemia do coronavírus, é mera coincidência. Trata-se de “A Doença de Hamburgo” (Die Hamburger Krankheit), filme de Peter Fleischmann lançado em novembro de 1979, que mostra um vírus que tira o mundo do seu alcance e tem na trilha sonora, músicas dos álbuns Oxygène e Equinoxe de Jean-Michel Jarre.

O diretor, hoje com 83 anos, mora perto de Berlim e se lembra de como surgiu a ideia que levou ao filme. Com os limites do crescimento, ele previu que uma catástrofe ocorreria se as coisas continuassem em um planeta finito, devido a dramática explosão populacional global. Fleischmann inventou uma história em Atenas, na Grécia, onde se encontrou com Jean-Claude Carriére, para tratar de outro projeto. O ponto de partida: cientistas colocando um vírus artificial e mortal nos pilares da Acrópole para resolver o problema. A ideia foi deixada para trás por causa de outros trabalhos. Mais tarde, na ilha grega de Paros, um infectologista chamado Feinstein, elaborou outro cenário: um veneno de rato para matar todos os ratos, porém alguns sobreviveriam. Ou seja, aqueles que são anormais. Eles reorganizariam a vida e a levariam a um novo nível. Em outras palavras, não há desenvolvimento sem desastres. Isso poderia ser ainda mais lento, o que eventualmente levou a um roteiro, que Fleischmann escreveu não com Carriére, mas com Otto Jägersberg e Roland Topor.

Várias pessoas morrendo de forma inexplicável, sem sinais externos de doença. Elas são encontradas em posição fetal. As autoridades vão atrás. Onde quer que uma pessoa morta seja encontrada, todas as pessoas de contato são rigorosamente registradas e colocadas em campos de quarentena rapidamente improvisados. Entre as pessoas que vivem em quarentena, o médico Sebastian, a garota Ulrike e o vendedor de salsichas Heribert se conhecem. Há apenas um único contato com o mundo hermeticamente fechado: o cadeirante anarquista Ottokar. Quando o pânico eclode entre os presos, eles aproveitam a oportunidade e fogem. Por desvios, eles saem de Hamburgo. Em uma vila abandonada onde os mortos não enterrados foram deixados para trás pelos sobreviventes em fuga, eles encontram Fritz, que tem medo histericamente de qualquer contato, e Alexandre, um seguidor das doutrinas locais da salvação que vive de conduzir novas caravanas para seu destino. Bloqueios nas estradas, lugares em tumulto, linchamento de aproveitadores da crise: o grupo está disperso.

“Não queríamos prever o futuro. Queríamos fazer um bom filme de ficção científica e deixar nossa imaginação vagar”, diz Fleischmann. “A Doença de Hamburgo” mostra um mundo distópico e insustentável. Para sua representação, Fleischmann rompeu com convenções visuais e narrativas, de uma maneira luxuosa, quase anárquica. O filme está cheio de pausas. O simpático personagem principal, por exemplo, o jovem médico Sebastian (interpretado por Helmut Griem) morre no meio do filme, uma violação de todas as regras de construção de um drama. Luneburgo é uma cidade que ameaça afundar em pânico e tumulto, onde as autoridades estão tentando controlar a doença com vacinas, enquanto o vendedor de salsichas torna-se um astuto aproveitador da crise, vendendo roupas de proteção contra a doença. 

Para a estreia, a equipe de filmagem foi para Luneburgo, no cinema da União. Nos dois corredores ao lado, estavam sendo exibidos “Häutet sie lebend” e “Halloween – A Noite do Terror”. Jean-Michel Jarre, que tinha acabado de realizar o maior concerto de todos os tempos com mais de um milhão de pessoas, veio com Fleischmann e outros artistas. Jarre estava acompanhado de sua então esposa Charlotte Rampling. O prefeito Heinz Schlawatzky disse que o filme promoveria a cidade.

Jean-Michel Jarre e Charlotte Rampling sendo recepcionados pelo prefeito de Luneburgo, Heinz Schlawatzky

Fleischmann vê uma espécie de paralelo em relação à pandemia do Covid-19: “Ideias extravagantes têm uma chance maior de se tornar realidade no futuro do que as prováveis. Pois sua probabilidade é limitada pelo que é considerado óbvio ou improvável no presente”. Antes da pandemia, uma versão recém-restaurada foi anunciada como um “filme cult” no Festival de Cinema de Hamburgo em 2019. “Filmes como esse são relativamente pequenos”, diz Peter Fleischmann sobre a redescoberta de seu trabalho.

Ordem das músicas de Jean-Michel Jarre no filme:

Equinoxe 1 (Títulos de abertura)
Equinoxe 2
Equinoxe 2
Equinoxe 2
Equinoxe 2
Equinoxe 3
Equinoxe 3
Equinoxe 4
Oxygène 5 – parte lenta
Oxygène 5
Equinoxe 4
Equinoxe 4
Equinoxe 2
Oxygène 5
Equinoxe 4
Oxygène 5 – parte rápida
Equinoxe 2
Equinoxe 8 – Band In The Rain
Equinoxe 8
Equinoxe 3
Oxygène 2
Equinoxe 4
Oxygène Part 1 e 2
Equinoxe 4 (créditos finais)

FICHA TÉCNICA:

Título original: Die Hamburger Krankheit
Países: Alemanha e França
Direção: Peter Fleischmann
Roteiro: Peter Fleischmann, Otto Jägersberg, Roland Topor
Produção: Hallelujah-Film München / Bioskop-Film-München / Terra Filmkunst, Berlin / Michel Gast, SND, Paris / ZDF
Câmera: Colin Mounier
Edição: Susan Zinowsky
Música: Jean-Michel Jarre, “Die Gaichinger Pfeiffer”
Duração: 117 Minutos
Classificação etária: 12 anos
Lançamento: 23/11/1979
Gênero: Drama
Elenco:
Helmut Griem (Sebastian)
Fernando Arrabal (Ottokar)
Carline Seiser (Ulrike)
Tilo Prückner (Fritz)
Ulrich Wildgruber (Heribert)
Rainer Langhans (Alexander)
Rosel Zech (Dr. Hamm)
Leopold Hainisch (Professor Placek)
Romy Haag (Carola)
Evelyn Künnecke (Wirtin)
Peter von Zahn (Senator)

Trailer:

Fontes: Landeszeitung.de | Deutsches-filmhaus.de

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