JARRE NO BRASIL – Promessas completam três décadas – Parte III

A matéria segue agora com a década onde a possibilidade de um show do artista se tornou “quase” real, os “Anos 90”. Conheça os vários projetos de concerto de Jean Michel Jarre que “quase” se tornaram realidades.

JARRE “QUASE” NO BRASIL

Ainda bastante explorado na mídia brasileira, novas oportunidades começam a surgir para um show do Jarre em território nacional. O problema foi que o país começava a enfrentar vários problemas internos, como inflação, impeachment do Presidente Fernando Collor e crescente descontentamento da população brasileira com seus governantes em nível Federal, Estadual e Municipal. Faltava dinheiro para trazer grandes artistas ao país. No começo dos anos 90, houve duas oportunidades de se fazer um mega concerto de Jarre no Brasil. Uma na cidade de São Paulo e outra na cidade do Rio de Janeiro:

Centenário da Paulista – Em 1991, a avenida mais conhecida e símbolo da cidade de S.Paulo, a Avenida Paulista, estava celebrando 100 anos. Para isto a Prefeitura de S.Paulo (administração Luiza Erundina (1989-1992)) encomendou um show multimídia e pirotécnico para celebrar o grande momento. Não se sabe muito sobre este projeto, possivelmente seria no começo de Dezembro de 1991 e provavelmente a falta de dinheiro e de patrocínio devem ter contribuído para a não realização do mesmo.

RIO ECO 92 – Entre 3 a 14 de junho de 1992 no Rio de Janeiro aconteceu o maior evento a nível mundial que o Brasil já viu até então. Dezenas de representantes e chefes de estado do mundo inteiro, além de cientistas, artistas e jornalista, estiveram reunidos na cidade do Rio de Janeiro para a II Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, também conhecida como Rio-92 ou ECO-92. A ideia original dos organizadores era fazer um grande concerto multimídia na Praia do Botafogo com Jean Michel Jarre, tendo o Morro do Pão de Açúcar como cenário de projeções. O artista viria ao Brasil junto com o amigo, o oceanógrafo francês Jacques Cousteau para a conferência. Um palco chegou a ser desenhado, como mostra a figura da Revista Istoé da época:

ECO 92 – Lindo palco do show que não houve…
 

Infelizmente a ECO 92 aconteceu sem o concerto. Não sabemos ao certo o que deve ter acontecido, mas no mínimo a questão financeira deve ter falado mais alto. O oceanógrafo Jacques Cousteau marcou presença ao evento e um documentário sobre a visita dele foi realizado com trilha sonora de…Vangelis.

CHRONOLOGIE – EUROPE IN CONCERT

Em 1993, Jarre foi nomeado “Embaixador da Boa Vontade”, pela UNESCO, se tornando uma figura pública a nível mundial. Para celebrar o feito, lançou um novo álbum “Chronologie” e saiu em turnê pela Europa com planejamento de estender a mesma a nível mundial. No planejamento, Jarre colocou o Brasil como prioridade e mandou gravar um vídeo-clip da faixa “Chronologie 4”, nas capitais: Rio de Janeiro e Brasília. O vídeo “versão Space” (para distinguir de outro clip da mesma faixa, o “Time”), mostrava um astronauta da NASA e um índio da Amazônia, em um grande contraste na cidade grande, favela, campo, Brasília. Ao contrário que alguns Jarrefans devem pensar, o músico “NÃO” era o Astronauta e não veio ao Brasil para as filmagens. O clip termina com o índio e o astronauta caminhando juntos na Praia de Botafogo.

CHRONOLOGIE 4 – versão Space (1993):

 

Para os repórteres brasileiros do jornal “O Globo”, Jarre chegou a anunciar o concerto em 1993 ou no máximo no começo de 1994 e que “tocar no Rio era um projeto antigo e sabia que desta vez daria certo”. Mel Brush, o produtor responsável pela vinda do Jarre, disse que já havia fechado com a Prefeitura do Rio, só faltava o patrocínio.

Jarre prometendo o show no Rio em 1993 ou 1994

Aproveitando que havia o interesse do artista em tocar no Brasil,conforme reportagem do Jornal Folha de S.Paulo, o Prefeito do Rio, César Maia, convidou empresários a Prefeitura carioca para debater a possibilidade de trazer Jean Michel Jarre. O evento custaria US$ 6 milhões e seria realizado possivelmente no 2° semestre de 93, na Praia de Botafogo, para um público estimado em 2 milhões de pessoas. Quem estava organizando a vinda do artista era a empresa americana Water Brothers.

JARRE NA PRAIA DO BOTAFOGO ???

A noticia deve ter realmente aquecido os ânimos dos fãs e algum tempo depois, uma nova notícia publicada no final de 93, na Revista On&Off, falava de um show a ser realizado na passagem do ano 1993/1994, não mais na Praia de Botafogo, mas na Praia de Copacabana, a mudança seria feita para aproveitar os prédios do bairro. O palco flutuante seria montado na França e trazido de navio até ser ancorado na praia.

JARRE EM COPACABANA PARA O REVEILLON 1993-1994 ???

Naquele ano de 1993, Jarre apenas tocou na Europa, com sua “Europe in Concert”. Os shows eram uma super produção que apesar do grande sucesso nas terras européias, infelizmente teve prejuízo financeiro. A empresa de shows que tinha o próprio Jarre como sócio: CICS – (Compagnie Internationale de Concerts et Spectacles) infelizmente veio a falir no ano seguinte e isto gerou dívidas, agravadas ainda mais com o fim do contrato mundial de distribuição dos seus álbuns, com a Polydor. Jarre teve que cancelar vários projetos de shows em volta do mundo.

Em 1994, foi um ano bastante sofrido para o artista. Sem a CICS e sem a Polydor, Jarre não gravou mais nada e o único concerto que conseguiu realizar, foi o de Hong Kong, para a inauguração do novo estádio de futebol da cidade. Com o fim do contrato, a Polygram do Brasil começou a recolher e destruir os discos do artista no país (ordem a nível mundial), seus shows sumiram da televisão e não foram mais destaques na mídia brasileira. Mesma assim, as esperanças de trazer o artista ao Brasil ainda estavam de pé. Jarre chegou a planejar uma turnê mundial financiada pela UNESCO, para celebrar os 50 anos da organização. Em matéria publicada no fanzine britânico “Revolution-UK”, entre os Patrimônios Mundiais da UNESCO, figurava Brasília. Mas Jarre infelizmente não conseguiu o financiamento suficiente para este evento ocorrer. Houve apenas em 1995, o “Concerto pela Tolerância” em Paris. E para fechar o ano difícil, o cantor de rock britânico, Rod Stewart, foi o escolhido para tocar no Reveillon do Rio de Janeiro. Ele levou 3,5 milhões de pessoas que foram acompanhar a queima de fogos e bateu o recorde anterior de Jean Michel Jarre como maior público ao ar livre, segundo o Guinness Book.

Em 1995, houve nova tentativa de empresários para um show no Rio de Janeiro, desta vez na Praia do Flamengo, conforme reportagem do jornal O Globo, nas colunas sociais (Set/1995), informava sobre um show do Jarre em 02 de Dezembro de 1995.

Jarre na Praia do Flamengo em 1995 ???

Mais uma vez, não deu em nada. Não temos maiores detalhes, mas poderia ter sido os mesmos empresários que tentaram nos anos anteriores.

A SEGUIR – REVEILLON DO RIO 1997 – A MELHOR OPORTUNIDADE PERDIDA

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Marcos Paulo

Fã Clube criado em 1997 nos primórdios da internet no Brasil. Buscamos sempre a realização de ao menos uma apresentação do Maestro Jean Michel Jarre em nosso país.