Com seus 85 milhões de discos vendidos, o compositor e produtor lionês Jean-Michel Jarre tornou-se um fenômeno internacional da música eletrônica.

Se hoje ele percorre o mundo inteiro, foi em Croix-Rousse (bairro histórico e icônico de Lyon, conhecido como a “colina que trabalha” por seu passado na indústria da seda), em 24 de agosto de 1948, que nasceu Jean-Michel Jarre. Quando tinha apenas 5 anos, seus pais se divorciam. Seu pai, o compositor Maurice Jarre, parte para os Estados Unidos para seguir a carreira, e Jean-Michel muda-se para a região metropolitana de Paris com a mãe, France Pejot, grande resistente da Segunda Guerra.
Ela o inicia muito cedo no piano, apresentando-lhe o jazz. Paralelamente ao baccalauréat (equivalente ao ensino médio) e depois a uma licenciatura em Letras na Sorbonne, Jean-Michel ingressa no Conservatório de Paris. Lá, aprende as bases da música clássica enquanto frequenta aulas de guitarra elétrica.
Uma necessidade constante de se reinventar
Aos 20 anos, ele entra para o Groupe de Recherches Musicales (GRM). Nesse centro criado em 1958, o jovem de Lyon descobre outra abordagem da música. Lá conhece Pierre Schaeffer, fundador do GRM, reconhecido como o pai da música concreta, acusmática e eletroacústica.
Sob sua orientação, Jean-Michel descobre os primeiros sintetizadores. Inventivo, destaca-se dos outros alunos com criações de um novo gênero. Diverte-se com as vozes, sobrepõe sons, faz colagens sonoras… Seu estágio de final de estudos permite publicar sua primeira obra, “Happiness is a Sad Song”, que só viria a ser lançada muitos anos depois, na coletânea Essentials & Rarities em 2011.
Desejando explorar as ligações entre cultura pop e tecnologia digital, Jean-Michel Jarre deixa o GRM após dois anos e inicia carreira solo. Em 1971, produz seu primeiro single, La Cage, e depois lança seu primeiro álbum, Deserted Palace, em 1972.
Solicitado por seu talento de compositor, trabalha para a ópera, televisão e o cinema. Vanguardista, foi o primeiro a introduzir a música eletroacústica na Ópera de Paris já em 1971.
De letrista a fera no palco
Mas é como letrista que se torna conhecido do grande público. Devem-se a ele vários sucessos da canção francesa, como “Les Mots Bleus” (1974) de Christophe, e “Où sont les femmes ?” (1977) de Patrick Juvet. No início de sua ascensão, em 1974, nasce sua primeira filha, Émilie, fruto de seu relacionamento com a jornalista Flore Guillard.
O ano de 1976 é o da consagração. Antes trabalhando nos bastidores, sua carreira explode com o álbum conceitual Oxygene. Ele incorpora sons de ondas e ruídos espaciais, revolucionando a música.
A faixa “Oxygene IV” torna-se um sucesso mundial. Em 1977, recebe o Grand Prix Du Disques da Charles Cros Academy, e sua fama internacional lhe rende o título de Personalidade do Ano pela revista americana People.
A partir daí, Jean-Michel Jarre emenda sucessos. Em 1978, ano de seu casamento com a atriz britânica Charlotte Rampling e do nascimento de seu filho David, confirma o êxito com o álbum sinfônico-eletrônico Equinoxe.
Inovador também em suas apresentações, cada concerto se transforma em um espetáculo com jogos de luzes e pirotecnia. Em 14 de julho de 1979, um milhão de pessoas assistem ao seu concerto na Place de la Concorde, feito que lhe garante entrada no Guinness Book of Records.
Nos maiores palcos internacionais
Mesmo assim, ele não permanece em sua zona de conforto e continua inovando. Em 1984, lança Zoolook, álbum no qual mistura vozes e palavras de diversas línguas e dialetos.
Essa abordagem baseada na tecnologia de sampling é revolucionária. Por isso, recebe um Victoires de la Musique na primeira edição da cerimônia, em 1985. Sua carreira então ganha outra dimensão: realiza concertos nos Estados Unidos, Inglaterra e realiza sua primeira turnê europeia em 1993, de modo mais intimista.
Em 1986, toca na visita do papa João Paulo II em Lyon. Das escadarias do Palácio da Justiça, reúne 800 mil pessoas para um concerto de duas horas.
Com sua reputação consolidada, Jean-Michel Jarre percorre o mundo inteiro. Apresenta-se na Rússia para os 850 anos de Moscou, em Paris na celebração da vitória da seleção francesa na Copa do Mundo de 1998, e aos pés das pirâmides de Gizé na virada do milênio.
Também toca em um parque eólico na Dinamarca em um concerto em homenagem às energias renováveis, na Cidade Proibida de Pequim, para celebrar o Ano da França na China em 2004, no deserto marroquino de Merzouga, para alertar sobre o esgotamento dos recursos hídricos, e em Israel, para falar do desaparecimento do Mar Morto. Sua música torna-se então uma forma de dar voz às suas causas.
Uma carreira coroada de sucesso
Ao longo de sua carreira, rica em 23 álbuns de estúdio, Jean-Michel Jarre recebeu inúmeras honrarias. Torna-se cidadão honorário das cidades de Houston e Lyon, Embaixador da Boa Vontade para a Tolerância junto à UNESCO, cavaleiro, oficial e depois comandante da Legião de Honra, além de Doutor Honoris Causa da Academia Russa de Ciências.
As distinções musicais também são numerosas: duas indicações ao Grammy Awards, quatro Victoires de la Musique, um Video Award, um Golden Europe Award, a medalha de ouro da SACEM (Sociedade de Autores, Compositores e Editores de Música) e o prêmio MOJO Lifetime Achievement Award.
Hoje, aos 77 anos, o rei da música eletrônica ainda está na estrada, com datas previstas na França, Espanha, Itália e Grécia no verão europeu de 2026.
Fonte: Tribune de Lyon
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