PARIS LA DEFENSE – UNE VILLE EN CONCERT COMPLETA 30 ANOS – PRIMEIRA PARTE

2020 marca os 30 anos do Paris La Défense – Une Ville en Concert, que foi sem sombra de dúvidas, o mais espetacular concerto de Jean-Michel Jarre, testemunhado por entre dois e dois milhões e meio de pessoas que se aglomeraram nas ruas de Paris em 14 de julho de 1990. A história desse concerto começou no final de 1988, quando o então presidente francês François Mitterrand (1916-1996), queria realizar um grande concerto de Jean-Michel Jarre durante as comemorações do bicentenário da Revolução Francesa em 1989. O projeto inicial previa uma apresentação de Jarre em nove pontos diferents da cidade, mas Jean-Paul Goude, diretor geral do desfile-espetáculo La Marseillaise realizado na Avenue des Champs-Élysées, descartou um concerto do Jarre em Paris por motivos de segurança. Os líderes do G7 (as sete nações mais industrializadas do mundo) estariam na capital francesa e Jarre começou a negociar um concerto para o ano seguinte, ficando tal evento programado para ocorrer na mesma data.
O local escolhido foi o La Défense, uma área no oeste de Paris, não muito diferente de Houston, com altos arranha-céus. Desta vez Jarre planejou usar não apenas altura e largura, mas também profundidade, usando o Grande Arche (uma estrutura retangular de 110 metros de altura e 106 metros de largura, situada na extremidade oeste de La Défense) e também os outros edifícios ao longo do complexo.

O nome La Défense é um tributo à uma estátua de bronze do escultor francês Louis-Ernest Barrias. Foi construída em homenagem aos soldados franceses que defenderam bravamente a cidade durante a Guerra franco-prussiana de 1870 e é a única obra de arte do século XIX no local.

O palco estava montado próximo ao rio Sena, com o espetacular cenário dos edifícios como pano de fundo. Era uma pirâmide de 26 metros de altura e 160 metros quadrados. Ao construí-lo dessa maneira, podia ser visto em 360º e os braços da pirâmide abrigaram refletores usados para iluminar os músicos. Os skytrackers foram colocados em todas as posições imagináveis, tanto ao lado do palco, quanto no alto dos edifícios e 18 telões foram posicionados ao longo da Avenue Charles de Gaulle e da Avenue de la Grande Armée até o Arco do Triunfo. 2.500 kw de som foram distribuídos ao longo de 3 quilômetros e todo o sincronismo, unindo o concerto, os efeitos e a transmissão para os telões foi feito por satélite. Três lonas gigantes foram usadas para projeções de imagens nos edifícios GAN, ASSUR e ROUSSEL-HOECHST e imagens menores foram projetadas em outros edifícios (incluindo o Grande Arche). Os fogos de artifício foram posicionados no topo dos arranha-céus e também ao redor do palco.

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Os locais de observação para o público foram a Pont de Neuilly, a Avenue Charles de Gaulle, Boulevard du Général Leclerc e Boulevard du Général Koenig. Mais distante também foram vistas multidões na Porte Maillot e na Avenue de la Grande Armée até o Arco do Triunfo.

Na noite anterior, os ensaios finais ocorreram a partir das 23:00. Para a surpresa da maioria das pessoas, este foi um ensaio compelto, com todos os efeitos sendo usados: animações a laser, holofotes, música ao vivo (com todos os músicos no palco, incluindo o próprio Jean-Michel Jarre e o coral Hauts de Seine) e projeções. Apenas os efeitos pirotécnicos ficaram de fora. Dezenas de milhares de pessoas assistiram ao ensaio e o tráfego parou ao longo das vias que levam ao La Défense. Foi possível perceber através do ensaio, que o público teria uma visão incrível e o evento ia superar todas as expectativas.

O concerto estava previsto para começar às 22h30 e, como os organizadores não tinham permissão para fechar as vias ao redor até às 16 horas, as pessoas não deveriam se aglomerar até então. Porém, dez horas antes do show, os fãs já estavam buscando um bom local para assistir ao evento num calor sufocante. Jean-Michel convocou uma entrevista coletiva para às 14:00, atrás do palco. Mas os fãs não tinham permissão para chegar perto, já que toda a área do La Défense já estava fechada para o público. Uma hora depois, começou o soundcheck e logo após a faixa “Waiting for Cousteau” começou a ser ouvida pelos fãs. Foi o início de um hábito que permanece até hoje nos concertos do músico francês.

Ao anoitecer, o La Défense começou a ganhar uma tonalidade azul e às 22h15, com a maioria da multidão sentada, uma das torres atrás do palco, começou a receber as primeiras projeções em forma de números. As sete partes de um display digital piscaram na lona por cerca de dez minutos e logo após, foi iniciada uma contagem regressiva a partir do número nove.

Uma longa introdução foi ouvida e o azul do La Défense ganhou a companhia do amarelo num lindo contraste com a sombra do pôr do sol atrás da esplanada. Animações a laser apareceram nas fachadas e um som de vento introduziu uma nova versão de “Oxygene 4” com projeções de pinguins caminhando pelos edifícios enquanto uma marionete gigante acompanhava Jean-Michel no palco.

O concerto prosseguiu com as partes 4 e 5 de “Equinoxe”, com o famoso personagem criado pelo Michel Granger aparecendo no alto das fachadas e as lentes do binóculo mudando de círculo para retângulo e triângulo. Algumas das projeções vistas foram usadas no primeiro concerto do Jarre, na Place de la Concorde, onze anos antes. Em “Equinoxe 5”, aconteceu a primeira exibição pirotécnica.

Bolas de pingue-pongue feitas de laser começaram a ricochetear nas fachadas iniciando “Souvenir of China”. La Défense foi todo iluminado de vermelho com projeções de caracteres Han, bicicletas e a tradicional máscara chinesa do álbum The Concerts in China. No final da música, fogos explodiram em cima do Grande Arche.

Uma gigantesca cobra Naja subiu lentamente e começou a bailar nas fachadas de duas torres hipnotizando a multidão até descer com a mandíbula aberta, como se fosse dar um bote para a introdução de “Magnetic Fields 2”. Uma face esbranquiçada, jardim florido e borboletas voando foram projetadas nas fachadas do La Défense que ganhou várias tonalidades deixando toda a esplanada colorida, enquanto fogos de artifício explodiam iluminando o céu.

Um feto, Darth Vader, alien, estrelas e os ideogramas usados no encarte de Zoolook foram projetados nas lonas instaladas nos edifícios para a execusão de “Ethnicolor”. Assim que foi finalizada a primeira parte da música, Jarre começou a tocar um novo e inesperado som intitulado “Ethni-transition” que serviu de introdução para a primeira execução ao vivo de “Zoolookologie”. Um estranho cyberman que tinha dois acessórios nos pés que mais pareciam asas de mariposa, acompanhou Jean-Michel no placo, enquanto robôs projetados transformaram os edifícos num ambiente que mais lembrava um jogo de videogame Atari.

“Revolutions” ganhou uma nova versão, com violinistas turcos substituindo a flauta Ney, um novo vocal e a participação de uma orquestra arábica. Raios laser cruzaram o céu acima da pirâmide e na parte final, a palavra Revolution projetada girava em 3D no mesmo tempo da música, enquanto rojões eram lançados do topo dos edifícios.

“Rendez-vous 2” foi introduzida pela parte inicial de “Rendez-vous 1”. Um gigantesco tabuleiro de xadrez foi projetado nas torres e pela primeira vez, a famosa harpa laser apareceu no concerto, ambientada em uma magnífica moldura prateada, sendo levada ao centro do palco somente quando necessário. Bolas amarelas e vermelhas foram jogadas nas lonas, enquanto um show pirotécnico iluminava o céu, deixando toda a área em tom avermelhado.

Chegou a hora de dedicar o show ao álbum Waiting for Cousteau, lançado um mês antes do concerto. Os primeiros sons aquáticos de “Calypso” são ouvidos, mas o que vem logo em seguida é a faixa “Calypso 2”. No palco, o grupo Amoco Renegades acompanhou Jarre e sua Le Tribe, enquanto a orelha amarela que ilustra a capa do álbum é projetada nas torres. No palco, Jarre tocou a harpa laser pela segunda e última vez, e o público mergulhou em um mundo submarino com projeções de peixes, golfinhos, águas-vivas, cavalos marinhos e bolhas.

Bandeiras de diversos países apareceram projetadas nas torres, enquanto Jarre regia o grupo Amoco Renegades em “Calypso 3”. Aviões e pássaros voaram pelas lonas em cima das bandeiras e em seguida, as faces de Marilyn Monroe, Elvis, Lennon, Salvador Dali, Chaplin e Cousteau surgiram no topo de cada um dos edifícios, enquanto fogos com efeito brilhante de serpentinas iluminavam o céu do La Défense.

Concluindo o álbum em homenagem a Cousteau, foi a vez de “Calypso” e um verdadeiro carnaval tomou conta do La Défense. Os desenhos do videoclipe da faixa foram projetados nos edifícios, juntamente com corações, mãos e pés dançantes. Um espetacular show pirotécnico finalizou a música, deixando o público extasiado e impaciente, pois logo em seguida veio uma pausa e ninguém queria ir embora. Todos aguardaram o retorno do músico francês e sua Le Tribe para um bis.

Após um breve intervalo, veio o primeiro bis com “Rendez-vous 4” e as pessoas foram ao delírio, batendo palmas, assoviando e dançando. Estrelas eram jogadas para todos os lados e um apoteótico show de fogos encantou o público presente.

Encerrando o show com o segundo bis, “Calypso” traz o carnaval de volta e desta vez, duas marionetes dançantes apareceram no palco. Círculos de luzes giratórios foram projetados nos edifícios, enquanto a multidão dançava loucamente fazendo a Pont de Neuilly balançar. Uma grande festa, como nunca vista antes na França, tomou conta do La Défense e com certeza, as milhares de pessoas que estiveram presentes, não esquecerão esse dia incrível que entrou para a história e ficará guardado para sempre entre os fãs de Jean-Michel Jarre e os amantes da boa música.

Após o show, houve uma confraternização para alguns convidados. Jarre recebeu um bolo e tirou um retrato em frente à harpa laser, porém se recusou a responder se iria ou não comer a guloseima. A festa foi montada atrás do palco, com os skytrackers formando uma catedral de luz e o grupo Amoco Renegades tocava músicas, incluindo Calypso e Calypso 3. No dia seguinte, Jarre esteve na Virgin Megastore para promover o novo álbum

CONTINUA…

PARIS LA DEFENSE – UNE VILLE EN CONCERT COMPLETA 30 ANOS – SEGUNDA PARTE