Jean-Michel Jarre interpretado por Michel Granger

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Pinturas de Michel Granger para Jean-Michel Jarre: Oxygène (1976) e Equinoxe (1978).

Michel Granger… Esse nome sem dúvida lhe é familiar. Ele permanecerá para sempre associado com os álbuns de musica eletrônica Oxygène, composto por Jean-Michel Jarre, lançado em 1976, para o qual ele fez a ilustração da capa. 1976-2016: quadragésimo aniversário de Oxygène

Michel Granger, nascido em outubro de 1946 em Roanne (Loire), teve uma longa carreira de pintor e ilustrador de pôsteres e jornais (especialmente na TF1 nos anos 1970-1980), marcada por sua obsessão pela defesa da Terra.

Selo postal para La Poste lançado em 2005 [onde se lê “Lei para Pessoas com Deficiências”]
Selo postal para La Poste lançado em 2005 [onde se lê “Lei para Pessoas com Deficiências”]

Ele contabiliza alguns selos postais, com tiragem de milhões de cópias, feitas para a ONU, França e território das Terras Austrais e Antárticas Francesas (TAAF).

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Granger para a ONU em 2004.

Na década de 1970, a atriz Charlotte Rampling abriu a porta da galeria Marquet na rua Bonaparte, em Paris, para visitar a primeira exposição de Granger. Ela comprou uma aquarela que se chamava Oxygène! O trabalho seria usado posteriormente para ilustrar a capa do álbum – ao qual dá o seu nome definitivo, Oxygène – do músico Jean Michel Jarre, então companheiro da atriz.

O disco, lançado em 1976, há exatamente 40 anos, vendeu 15 milhões de cópias, percorreu o mundo todo e ainda recebe regularmente mensagens de fãs…

Os diários cuidadosamente preservados pelo artista são testemunhas: Em 15 de setembro de 1976 : “Encontro na galeria Marquet, Jarre para a capa do disco”.

Jean-Michel Jarre veio pedir a permissão de Michel Granger para usar a aquarela “Eu refiz o plano de fundo, a capa era quadrada, com o comprimento original”, disse o último. E um ponto de vista técnico: “A aquarela. Todo mundo pensa que eu trabalho com aerógrafo… Eu nunca trabalhei com um aerógrafo”. Michel Granger assinou ao todo seis capas para Jean-Michel Jarre, a última em 1997 (Oxygene 7-13). Três vezes ele aproveitou obras originais existentes, três vezes seguiu ordens, disse ele, que rendiam grandes discussões à noite, nas apostas, na casa de Jarre, ou em uma pizzaria nas proximidades Champs Elysees , ele recorda.

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Desenho preparatório para a capa de Equinoxe

Para Équinoxe, em 1978, ele se lembra que este disco quase foi batizado de Venus, Transistor… Jean-Michel Jarre “queria uma Terra com uma calcinha ao redor. Eu fui comprar roupas de baixo. Olhei calcinhas para ver se conseguiria desenhá-las! Eu tinha 30 anos…

É graças ao seu trabalho para o músico que Michel Granger deve, em parte, permanecer para a posteridade. O que seria o disco Oxygène sem Michel Granger? … Na Índia, na Polónia, onde o pintor viaja regularmente, até hoje todo mundo conhece Oxygène.

Bem recentemente, um internauta pediu sua permissão para usar um de seus desenhos em uma tatuagem!

Michel Granger, em 21 de junho, no seu estúdio em Paris e uma tela da série “Herbarium” [Herbário].

Nos últimos meses, Michel Granger lançou um novo ciclo de criação chamada “Herbarium”, em homenagem à natureza do qual se fez arauto. Com o peso de rolos compressores que podem chegar a 19 toneladas

Michel Granger no seu estúdio

As plantas – ramos, folhas, flores, ervas – são colocadas entre duas lonas, esmagadas por aqueles “cilindros”, depois são habilmente pisoteadas por botas e revestidas de tintas. O resultado é tão surpreendente quanto magnífico. É sua maneira de se expressar contra o desmatamento. Três exposições são previstas para o segundo semestre…

[Para ver o processo http://www.granger-michel.com/herbarium-project/]

 

Fonte: http://mondephilatelique.blog.lemonde.fr/2016/06/21/jean-michel-jarre-interprete-par-michel-granger/

Originalmente publicado no jornal Le Monde – França (21/06/2016)

Tradução e agradecimentos: Raphael Romero Barbosa