EXCLUSIVO: JARREFAN BRAZIL ENTREVISTA FRANCIS RIMBERT

O Jarrefan Brazil tem a honra de compartilhar com todos os fãs brasileiros e sul-americanos de Jean-Michel Jarre, esta entrevista EXCLUSIVA de Francis Rimbert, um dos membros mais fiéis da Le Tribe, que participou de praticamente todos os concertos de Jean-Michel Jarre no período 1986-2013 (com exceção dos que foram realizados em 1998), além de dar apoio no concerto da Place de la Concorde.

Conhecido por ser carismático e atencioso com os fãs, Rimbert respondeu a mais de 20 perguntas, desde o seu início nos estudos, passando pela brilhante colaboração com Jean-Michel Jarre e finalizando com os seus projetos mais recentes. Além das respostas, Francis gentilmente nos enviou algumas fotos para ilustrar nossa matéria. Entrevista histórica de um dos membros mais queridos da Le Tribe de Jean-Michel Jarre:

🇫🇷 French

Sr. Rimbert, antes de mais nada, obrigado por nos conceder essa entrevista aos fãs brasileiros. Eu sei que você sabe o quanto nós te amamos e que você sempre deu muita atenção aos fãs ao redor do mundo. Vários fãs brasileiros nos enviaram perguntas para você responder.

“Olá amigos
Aqui estão as respostas para suas perguntas pertinentes!
Saudações da França!”

Sr. Rimbert fale um pouco sobre você.

“Eu sou um saltimbanco que teve a sorte de cruzar o caminho de um grande artista… Após estudos clássicos de piano no conservatório de Paris, mudei radicalmente de rumo, gostando muito da música clássica, mas realmente pouco da atmosfera restrita dos alunos e de alguns professores…”

Como você começou na música e quais foram suas primeiras experiências com os sintetizadores?

“Comecei aos 4 anos em um pequeno acordeão de teclas de piano no qual eu tocava as músicas ouvidas no velho rádio da minha gentil avó. E fui contratado na loja PHONORGAN de Paris, que foi a primeira especializada na importação de sintetizadores…”

Jean-Michel Jarre declarou em uma recente entrevista que sua professora de piano batia em seus dedos, pois sempre que conhecia a melodia de uma música, ele começava a improvisar. Como era sua professora? Algo semelhante aconteceu com você?

“Oh não, tive uma senhora muito elegante, encantadora e que me adorava… Ela me incentivou a seguir para o conservatório de Paris, mesmo sabendo que me perdendo como aluno ficaria com o coração partido!”

Sabemos que seu primeiro contato com Jarre foi para emprestar-lhe sintetizadores para o concerto na Place de la Concorde. Você poderia revelar mais detalhes sobre esse primeiro encontro?

“Na verdade, foi graças a Michel Geiss que fui chamado para o concerto de JMJ em La Concorde… Ele conhecia meus demos e meu álbum BIONIC ORCHESTRA. Posteriormente, também foi graças a ele que me juntei à equipe para o concerto de Houston e depois continuei meu caminho com JM.”

O álbum “Bionic Orchestra”

Você estava na Place de la Concorde durante o primeiro concerto de Jean-Michel. Por favor conte-nos algumas lembranças desse evento. A transmissão de TV praticamente não mostrou nenhum dos efeitos visuais na praça e projeções nos edifícios. Parece que na realidade o concerto foi maior do que foi transmitido pela televisão.

“Passei vários dias e várias noites para instalar meus sintetizadores e programá-los na mítica Place de la Concorde, evitando ao máximo aparecer quando muitos fotógrafos vinham para tirar fotos do patrão… O que mais me impressionou foi a energia e as horas de presença de Jean-Michel, que não deixava nada ao acaso em detalhes de luz, som, posicionamento dos teclados, nada lhe escapava… Um verdadeiro chefe de empresa… já…”

Você esteve de alguma forma envolvido nos concertos da China em 1981? Seja com instrumentos ou outro tipo de suporte.

“Não, infelizmente…”

Há uma pessoa que foi muito importante na carreira de Jarre: Francis Dreyfus. Como foi seu relacionamento com ele?

“Perfeito! Francis sempre foi muito cortês e sorridente comigo! Gostava de sua elegância natural e seu senso de humor. Pequena curiosidade: um dia ele me ligou dizendo ‘Oi Francis, sou eu Francis! Diga-me, você poderia vir com Christophe (cantor francês com quem JMJ trabalhou muito) porque ele está procurando um tecladista e pensei imediatamente em você!!’ Recusei educadamente essa proposta porque estava com JMJ no meio da composição de um novo álbum e sou fiel em meus compromissos e amizade…”

Jean-Michel, Francis Dreyfus e Rimbert na Place de la Concorde

Muitos concertos que foram planejados não se concretizaram: Rio de Janeiro, Atlanta, México e Austrália são alguns exemplos. Se pudesse escolher, em qual lugar do planeta você gostaria de ter tocado em um grande concerto de Jean-Michel Jarre? Se desejar, pode escolher mais de um.

“Brasil em uma praia, Canadá em uma grande floresta e em uma ilha deserta…”

Sobre o famoso concerto do eclipse solar cancelado no México em 1991. Existem muitas teorias sobre o cancelamento do evento. Você sabe o que realmente aconteceu?

“Não exatamente, mas parece que foi um problema com o transporte de equipamentos.”

Uma semana antes do concerto de Okinawa, a música “My Name is Arthur” vazou. Você tem informações sobre como isso pode ter acontecido? Foi um vazamento autorizado?

“Oh, esses dias é tão fácil obter informações e divulgá-las… Dizem até que o Papai Noel não existe…”

Nos últimos anos, você compartilhou algumas gravações raras com fãs de Jean-Michel Jarre: uma música do projeto The Vizitors, vários vídeos das turnês de Jarre para os fãs da “Radio Equinoxe” e um Laserdisc do concerto de La Défense. Você ainda tem muitas gravações raras de Jarre? Poderia compartilhar algo com nós do Jarrefan Brazil?

“Não sou proprietário das gravações de JMJ. Portanto, me é impossível fazer isso… De vez em quando, com sua permissão, eu compartilho alguns vídeos pessoais…”

Do ponto de vista da criação musical, você já colaborou com Jarre (você fez arranjos ou até mesmo colaborou em uma melodia)?

“Sim, trabalhávamos por longas horas no estúdio para os álbuns ou shows e não havia limite para minha colaboração… (sem mais comentários)”

Você estave no palco em quase todos os concertos de Jean-Michel Jarre. O uso de reproduções e partes pré-gravadas nesses shows eram mais do que evidentes. Qual é a sua opinião sobre isso?

“Os álbuns de JMJ não foram planejados para o palco, há tantas camadas sucessivas de gravações que seriam necessários 50 músicos para reproduzi-las exatamente (sim, tínhamos muito frequentemente mais de 48 faixas para mixar no final dos álbuns!) Por outro lado, não tocamos todas as partes para criar os álbuns! E sim, os sequenciadores programados por JMJ fazem isso muito bem. E isso não deve ser esquecido… Portanto, é normal que uma parte das faixas originais seja deixada em um suporte digital.”

Todos ficamos tristes com os recentes falecimentos de Sylvain Durand, Dominique Perrier e Joe Hammer. Como foi seu relacionamento com eles?

“Eu era muito próximo de meus dois amigos. Eles eram músicos fabulosos, com quem eu trabalhava tanto quanto eu tinha muitas gargalhadas, muitas vezes no palco. Eles trouxeram muito para a música do nosso lionês… E o desaparecimento deles fechou para mim toda uma época….”

E o seu relacionamento com Jean-Michel Jarre? Como era e como é agora? Há algum mal-estar entre vocês?

“Nosso relacionamento sempre foi maravilhoso, pois sempre respeitamos a parte de segredo de um ou de outro. Apesar de alguns internautas terem espalhado rumores de desentendimento entre nós na época em que parei de acompanhá-lo no palco, compartilhamos a mesma paixão pela música e realmente me orgulho da amizade que ele me demonstra. Isso continua sendo um mistério para mim e toda vez que me encontrava aos pés do palco a poucos minutos do show, sempre me perguntava por que ele me escolheu.”

Jarre, Rimbert e Perrier

Após o fim de sua colaboração, você assistiu a concertos de Jarre? O que você acha da nova direção que ele tomou para seus shows?

“Não tive a oportunidade de vê-lo ao vivo. Sou de natureza franca, mas reconheço que às vezes é preciso ler nas entrelinhas… Não fiquei realmente convencido por certas direções musicais. Mas em que tenho o direito de julgar? É a escolha dele, seus gostos e cada um tem sua personalidade. E ele é um artista sempre em movimento e como ele diz frequentemente: Não se atira em alguém que está avançando…”

Você gostaria de trabalhar novamente com Jarre se ele te convidasse, seja no palco ou no estúdio? A decisão de uma nova colaboração depende mais de você ou dele?

“Sim, sem hesitar… A decisão… é a vida quem decide…”

Qual é a sua música, álbum e concerto favorito de Jarre?

“Gosto muito da música do filme LES GRANGES BRULÉES, do álbum OXYGENE por sua poesia inalterável, e dos concertos ao vivo no Théâtre Marigny.”

Uma grande pergunta que nos faríamos seria sobre suas composições. Você prefere usar sequenciadores de software ou ainda gosta de hardware dedicado? Qual é seu sampler favorito nesses dias? Você prefere os mais recentes ou os vintage?

“Sou pianista antes de tudo. Os sintetizadores são para mim brinquedos maravilhosos! Seja em madeira, metal ou software, pouco importa, é meu ouvido e mais geralmente meu cérebro que julga. O toque, a emoção de um acorde de sétima maior em um Pad que evolui, a destreza de uma sequência que programamos passo a passo, é isso que me motiva. Nenhuma barreira entre vintage, recente, hardware, software…”

Como foi seu primeiro contato com Sandra Baudin e como surgiu a ideia de gravar um álbum juntos?

“Descobri Sandra por acaso no YouTube e fiquei muito perturbado pelo estilo de suas composições muito próximo do meu… Fizemos um teste, pedi a ela que terminasse uma composição minha e ela me enviou exatamente o que eu tinha imaginado!! Essa simbiose só acontece uma vez na vida. Entrei em contato com ela e perguntei se ela queria compor um álbum comigo. O que fizemos sem nunca nos encontrarmos, apenas pela internet! Uma aventura excepcional que me deixou apenas boas lembranças.”

O álbum “Les Cinq Saisons” de Sandra Baudin e Francis Rimbert

Fale sobre seus novos projetos. Você está preparando algo para os próximos meses?

“Na medida do possível, tento ajudar jovens músicos a progredir em seu caminho de artista. Depois eu adoro tocar sem fazer alarde publicitário, em uma festa, na varanda de um bar, em uma praia da Vendeia ou simplesmente com amigos em torno de uma boa refeição… Também colaboro com um site SYNTHFOOD (www.synthfood.fr) que é a referência dos apaixonados por sintetizadores com meu amigo Stephane Boesel que tem a mesma visão do mundo da música eletrônica.”

O que você sabe sobre música brasileira?

“Oh, tenho vergonha… Muito pouco, a não ser que os álbuns de StanGetz, João Gilberto e Antonio Carlos Jobim e o álbum de Gino Vanelli: ‘STORM AT SUN UP’ (que não é brasileiro, ok…) são os que tocam em ‘loop’ no meu estúdio quando quero me dar boas ondas positivas e afastar as nuvens escuras que às vezes atravessam a vida de cada um…”

De onde veio o apelido Bunny?

“Eu adoro esse personagem do desenho animado porque ele representa muito bem meu lado brincalhão e sempre tive uma pequena figurinha dele durante os shows de JMJ (geralmente colocada no Eminent…).”

Finalizando, deixe uma mensagem para seus fãs brasileiros.

“Tenho muito orgulho de receber mensagens muitas vezes muito gentis de internautas deste lindo país cujo nome evoca tão bem a alegria de viver que a música gera. Um único arrependimento… não ter tido a chance de tocar com meu parceiro na maravilhosa praia de Copacabana…”

Nossos agradecimentos especiais às seguintes pessoas, sem as quais essa entrevista não teria sido possível:

Francis Rimbert (pela amável gentileza e disponibilidade em responder às nossas perguntas e enviar as fotos)
Dlaivison Ribamares Silva e Eduardo da Silva Soares (tradução)
Rivaldo “Riva” Lima (pergunta técnica)
Ricardo Melo (ideia)
Marcos Paulo “Xerife” (sem ele o site não existe)
Leonardo Jammal (atual responsável pelo site)

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