JARRE FAZ MARATONA DE TRÊS DIAS NO AMSTERDAM DANCE EVENT E CONVIDA ARMIN VAN BUUREN E ADIESCAR CHASE PARA TOCAR COM ELE NO CONCERTO DE ABERTURA

Os fãs e profissionais que trabalham na indústria internacional da música eletrônica, passaram por Amsterdam entre os dias 21 e 25 de outubro, para acompanhar o Amsterdam Dance Event (ADE), a maior e mais influente conferência e festival de música eletrônica do mundo. Realizado anualmente, o evento transforma a capital holandesa no epicentro global da cultura eletrônica, reunindo centenas de milhares de fãs, artistas, DJs e profissionais da indústria musical de todos os cantos do planeta.

No hotel “seis estrelas” Rosewood, instalado no antigo Palácio da Justiça, um painel chamado “Música e Máquinas – Uma conversa entre artistas de diferentes gerações” atraiu um grande público logo no início do primeiro dia. O principal motivo desse interesse, foi a participação de Jean-Michel Jarre.

Jarre é um dos grandes pioneiros da música pop eletrônica. A Alemanha teve o Kraftwerk; a França teve Jean-Michel Jarre. Este ano, ele é o convidado de honra do ADE e no Rosewood, participou de um debate com outros produtores — Armin van Buuren (dos Países Baixos), Lady Starlight (dos EUA) e Jako Jako (da Alemanha) — provando que a música eletrônica já superou, há muito tempo, a fase em que era um domínio predominantemente masculino. Os outros três artistas têm grande admiração por Jarre. “Sem ele, eu não estaria aqui hoje”, diz Van Buuren.

Com cerca de 80 milhões de álbuns vendidos, Jarre recordou como, no início de sua carreira, o sintetizador nem sequer era considerado um instrumento “de verdade”. Ele expressou seu espanto diante do nível de resistência que o meio musical tradicional costuma demonstrar a cada nova evolução na música.

“Quando o jazz surgiu, os músicos clássicos foram contrários. Mais tarde, os músicos de jazz, por sua vez, foram contrários ao rock. E quando a música eletrônica surgiu, os músicos de rock foram contrários”, diz Jarre descrevendo o curso da história da música do século XX.

Atualmente, muitos músicos estão preocupados com o uso da IA. Jarre afirma não ter medo dela. “Eu também uso IA. Eu a vejo como um super-sampler. Você pode influenciar o algoritmo, o que significa que continua sendo o criador da sua própria música.”

Durante o debate, Armin van Buuren comentou que quem conhece o Oxygene e depois ouve a nova mixagem em Dolby Atmos vai se emocionar até às lágrimas. E acrescentou que quem não se emocionasse poderia lhe dar um soco, um comentário que, naturalmente, provocou risos em toda a plateia.

A música eletrônica, e certamente a dance music, é frequentemente acusada de ser mecânica, como se fosse o instrumento com o qual se faz música, e não o músico, o fator decisivo. Todos os participantes do painel reconheceram que os inventores dos novos sintetizadores desempenharam um papel fundamental no desenvolvimento da música eletrônica, mas foram, na verdade, os músicos que começaram a trabalhar com eles.

Jarre pensa que não há nada de assustador nesses aparelhos: “Passo mais tempo com máquinas do que com pessoas e estou bem”. Isso lhe rendeu aplausos entusiasmados.

Jarre compartilhou nas redes sociais:

“Um início brilhante para o @amsterdamdanceevent! Conversas fascinantes sobre música, máquinas e o futuro da criatividade com @arminvanbuuren, @jakojako_live e @ladystarlightnyc, sob a moderação de @meikejentjens.
Próxima parada: @afaslive, hoje à noite! Nos vemos lá!
🚀“

O segundo compromisso de Jean-Michel Jarre no primeiro dia do ADE, foi uma performance ao vivo no AFAS Live, um pavilhão multi-uso anteriormente conhecido como Heineken Music Hall. Como convidado especial de honra do ADE, Jean-Michel Jarre realizou um concerto imersivo intitulado Oxygene & Beyond: A Sonic Journey Celebrating 30 Years of ADE. A apresentação foi a abertura do festival e celebrou as três décadas do Amsterdam Dance Event e os 50 anos do Oxygene, o seu inovador álbum. O espetáculo, que teve todos os ingressos esgotados, foi uma homenagem à altura de um artista cuja visão extraordinária ajudou a moldar a música eletrônica ao longo de meio século.

Os portões foram abertos às 18h30. Ao entrar no AFAS Live, localizado próximo ao estádio de Amsterdam, dava-se de cara com um estande de produtos oficiais, onde era possível adquirir, entre outros itens, o livro Machines: A History of Electronic Music. Além de produtos de concertos anteriores (como camisetas da Special Summer Live Tour, do Oxymore ou de Versailles 400), era possível encontrar bonés e um moletom com a caveira do Oxygene. Havia também uma camiseta criada especialmente para este concerto de Amsterdam, que se esgotou rapidamente, restando apenas as do tamanho “P”.

A partir das 19h40, a dupla holandesa de música eletrônica Weval subiu ao palco como atração de abertura, contando, inclusive, com seus próprios fãs na plateia. O som serviu muito bem como preparação para a apresentação de Jarre. Após o término do show da dupla, a equipe iniciou a montagem no palco. Técnicos circulavam pelo local, e a harpa laser chegou a piscar brevemente. Por fim, a faixa “Bridge from the Future” soou nas caixas de som, servindo como música de abertura, substituindo Waiting for Cousteau. Tradição que Jarre vem adotando desde o concerto Bridge from the Future realizado em Bratislava no ano de 2024.

Por volta das 21h15, o espetáculo começou com o Countdown em holandês. Jarre abriu a apresentação com “The Opening”. Assim como na Summer Tour, foi utilizada uma “IA ao vivo” com imagens do Jarre, captadas em tempo real, sendo transformadas por meio de uma ferramenta de IA. Dessa forma, sua imagem no telão de fundo se metamorfoseava — passando de um homem jovem para um idoso, um robô, uma figura de madeira, etc.

Na verdade, Jarre apresentou praticamente o mesmo setlist da Summer Tour. É bem provável que alguns esperassem por algo diferente. A faixa “Oxymore” ficou de fora desta vez.

Antes da faixa “Zoolookologie”, Jarre comentou que o evento era, na verdade, uma festa dançante e que a música seguinte seria uma ótima oportunidade para dançar. O clima no local já estava excelente, mas, a partir desse momento, muitas pessoas se levantaram e começaram a dançar intensamente.

Jarre também prestou uma homenagem ao músico francês Kavinsky, falecido recentemente. Segundo Jarre, Kavinsky costumava usar uma de suas músicas como introdução em suas próprias apresentações e por isso, ele dedicou “Industrial Revolution 2” ao artista.

Jarre não seria Jarre se não estivesse constantemente realizando alterações e aprimoramentos em seu espetáculo. Alguns elementos gráficos e vídeos foram substituídos, e o show de luzes e lasers passou por novos refinamentos. A tecnologia de IA ao vivo foi aplicada a outras faixas, mas foram, sobretudo, as estruturas suspensas (treliças) sobre a plateia que integraram o público ainda mais ao espetáculo. Os refletores fixados nessas estruturas iluminou a multidão durante várias músicas. Em “Magnetic Fields 1”, “dedos de luz” percorriam todo o público em um zig-zag frenético. Nas pequenas telas de LED, eram exibidos efeitos que complementavam as projeções do telão principal no palco, estendendo, de certa forma, o espetáculo para dentro da plateia. Um show verdadeiramente “imersivo”. As estruturas podiam até ser baixadas, ficando posicionadas de forma inclinada sobre as cabeças do público, permitindo que os refletores iluminassem a plateia a partir de diferentes ângulos. Visto de trás, o concerto foi muito mais impressionante do que nas apresentações realizadas durante a Summer Tour. É óbvio que, em shows ao ar livre, seria mais difícil suspender equipamentos sobre o público; no entanto, em uma arena indoor, isso foi possível. E é bem provável que essas treliças continuem fazendo parte da Oxygene & Beyond Tour no próximo ano.

Após a faixa “Epica”, Jarre preparou uma surpresa para o público. Uma equipe de apoio subiu ao palco e posicionou um set com outros instrumentos e equipamentos. Enquanto isso, Jarre anunciou que tocaria a próxima música em uma versão especial com o seu amigo Armin van Buuren, dando-lhe as boas-vindas ao “Rei do Trance” e “Rei de Amsterdam”. Os dois se cumprimentaram calorosamente e Van Buuren comentou que um sonho estava se realizando, pois Jarre foi um dos principais motivos pelos quais ele começou a fazer música. Em seguida, executaram uma versão especial e mais longa da faixa “Stardust”, na qual van Buuren também teve seu momento especial.


Membros da equipe voltaram ao palco para realizar novos ajustes: montaram duas estruturas metálicas pretas que se projetavam para cima, em um ângulo inclinado. Apenas as duas peças laterais formavam a estrutura, não havia uma ligação entre elas no topo. Pouco depois, um feixe de raios laser esverdeados surgiu. Após a ausência nas duas últimas turnês, a harpa laser estava de volta. No lado esquerdo do palco, foram posicionados teclados adicionais, e também era possível ver uma guitarra elétrica. Quando Jarre começou a tocar “The Time Machine”, foi acompanhado por Adiescar Chase. Inicialmente, ela tocou teclados e, na segunda parte da música, pegou a guitarra e executou um solo. Para isso, ela se aproximou da frente do palco, posicionando-se lateralmente, atrás de Jarre e da harpa. Após a performance, Jarre agradeceu à Adiescar, e ambos foram calorosamente aplaudidos. Como último bis, vieram as clássicas “Magnetic Fields 2” e “Rendez-Vous 4”, e Jarre deixou o palco sob intensos aplausos.

O concerto (apesar do título) deu poucas pistas sobre a turnê prevista para o próximo ano. O repertório deverá incluir faixas do novo álbum, cujo lançamento está programado para o primeiro semestre de 2027. Além disso, Jarre pretende reformular o espetáculo; ele não quer se limitar a uma apresentação nostálgica focada apenas no Oxygene.

Setlist:

Jarre e Armin van Buuren juntos no palco tocando “Stardust”
  1. Countdown
  2. The Opening
  3. Magnetic Fields 1
  4. Sex in the Machine
  5. Oxygene 2
  6. Arpegiator
  7. Equinoxe 7
  8. The Architect
  9. Zoolookologie
  10. Zero Gravity (Remix)
  11. Industrial Revolution 2 (dedicada ao Kavinsky)
  12. Herbalizer
  13. Oxygene 19
  14. Exit
  15. Equinoxe 4
  16. Brutalism
  17. Oxygene 4 (Remix)
  18. Epica
  19. Stardust (com Armin van Buuren)

    ENCORE:
  20. The Time Machine (com Adiescar Chase)
  21. Magnetic Fields 2
  22. Rendez-vous 4

No dia seguinte, um vídeo com o resumo do primeiro dia foi compartilhado nas redes sociais de Jean-Michel Jarre:

“ADE Dia 1 ✅
Acompanhe os bastidores com Jean-Michel em um primeiro dia intenso no @amsterdamdanceevent, passando pelo palco de conferências até a um espetacular concerto com ingressos esgotados no @afaslive.
Vem aí a segunda rodada… 🚀”

Jarre comentou:

“Obrigado, Amsterdam! Ontem à noite, no @afaslive, celebrando os 30 anos do @amsterdamdanceevent com o Rei de Amsterdam, @arminvanbuuren 🌟“

Nas redes sociais do AFAS Live:

“@jeanmicheljarre deu início ao ADE e celebrou o 50º aniversário de seu álbum de estreia, Oxygene, hoje à noite no AFAS Live! 🔊 Com sua sonoridade eletrônica característica, ele apresentou batidas impactantes, um show de luzes espetacular e projeções grandiosas ao longo da apresentação. Confira alguns dos destaques da noite, registrados por @ferdydammanphotography. Você poderá ver o álbum de fotos completo no aplicativo do AFAS Live a partir de amanhã.”

Nas redes sociais do ADE:

“Nosso convidado de honra, Jean-Michel Jarre, falou no ADE Pro esta manhã, abordando as origens e o futuro da música eletrônica por meio de sua paixão pelas máquinas, ao lado de JakoJako, Lady Starlight e Armin van Buuren. O quarteto compartilhou seu amor pelos instrumentos com os quais trabalham, ofereceu conselhos aos produtores (façam por diversão, não pelo sucesso) e trocou energias em uma conversa vibrante e contagiante.
Além de compartilhar sua paixão pelas máquinas em uma palestra, Jean-Michel Jarre também comandou o palco no AFAS esta noite com o espetáculo OXYGENE & BEYOND: A SONIC JOURNEY CELEBRATING 30 YEARS ADE. Exatamente cinquenta anos após Jarre ter ajudado a criar a ponte entre a música experimental e a música pop, produzindo, quase por um ‘acaso feliz’, um dos álbuns mais importantes da história da música eletrônica, a obra continua a transmitir uma emoção profunda por meio de cabos e a provocar arrepios com seus sintetizadores. Nesta noite, celebramos um verdadeiro pioneiro que segue impulsionando a música eletrônica, contando, inclusive, com uma participação surpresa do próprio Armin van Buuren.”


Fotos da empresa “KVANT Show Production”, responsável pelos efeitos de raios laser da turnê:

“Jean-Michel Jarre, Amsterdam e a noite de abertura do Amsterdam Dance Event. 💛
O concerto de ontem à noite, no @afaslive, fez parte das comemorações de 30 anos do ADE — uma noite em que música, luz e emoção se uniram de uma forma que as fotos só conseguem representar parcialmente. ✨
Trabalhar com @jeanmicheljarre é sempre especial para nós. Fazer parte do seu universo musical, no qual os lasers ocupam um lugar tão marcante, continua a nos inspirar e a nos impulsionar. Obrigado pela confiança e pela oportunidade de, mais uma vez, criarmos juntos momentos que permanecem conosco muito tempo após a última música.
A primeira leva de fotos já está disponível! 📸 Em breve, traremos mais registros — ainda temos muito a compartilhar.

“Novas imagens, mais detalhes e momentos do concerto de @jeanmicheljarre no @afaslive, durante o @amsterdamdanceevent.
O que adoramos na música dele é o quanto ela abre espaço para a luz. Os lasers tornam-se parte das faixas, transformando a atmosfera de todo o local a cada música. Ficamos felizes em contribuir para dar vida a essa experiência.
💙”

GALERIA DE FOTOS:

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