JARRE FAZ MARATONA DE TRÊS DIAS NO AMSTERDAM DANCE EVENT E CONVIDA ARMIN VAN BUUREN E ADIESCAR CHASE PARA TOCAR COM ELE NO CONCERTO DE ABERTURA

O primeiro compromisso do dia 22 de outubro foi uma conversa com o DJ americano Jason Bentley, sobre os 50 anos do lançamento do Oxygene e de seu novo livro Machines: A History of Electronic Music.

Logo após, Jarre foi para a aguardada sessão de autógrafos na livraria “American Book Center”. Cinquenta fãs que compraram ingressos antecipados (que incluía um edição do livro Machines), tiveram a oportunidade de ter o exemplar do novo livro autografado por ele.


Em seguida, uma discussão sobre o futuro da Inteligência Artificial como ferramenta criativa, com a participação de Jeff Chang, do Google DeepMind e moderação de Joachim Garraud.

Para encerrar o segundo dia do festival, algo que não estava agendado. Jarre foi participar do “A State of Trance”, programa de rádio semanal do Armin van Buuren.

Resumo do segundo dia:

“ADE Dia 2 ✅
Desde encontrar fãs na sessão de autógrafos do livro MACHINES até explorar as possibilidades da IA ​​na música com Jeff Chang (@googledeepmind) e @joachimgarraud, e depois participar do @asotlive com @arminvanbuuren. Mais um dia incrível no @amsterdamdanceevent!
Acompanhe os bastidores com Jean-Michel na segunda rodada. 🚀”

O último dia começou com a audição da nova versão do Oxygene em Dolby Atmos no STMPD Studios. Os ingressos foram sorteados entre os assinantes da Newsletter oficial. É possível que haja mais sessões como essa em outras cidades, embora provavelmente sem a presença de Jean-Michel, que deseja continuar trabalhando em seu novo álbum.

David Kosten, responsável pela mixagem em Dolby Atmos e 5.1 Surround estava lá para falar sobre o seu trabalho. Logo no início ele verificou cuidadosamente se todos estavam sentados no lugar adequado. Sua preocupação em garantir que todos tivessem a melhor experiência possível era muito agradável de se ver. Havia aproximadamente 30 pessoas no local.

Kosten recebeu a gravação original de 8 canais e usou as faixas separadas para fazer uma mixagem Atmos adequada. É um projeto muito especial para ele, porque o seu primeiro single foi “Oxygene Part 4”, que ele conseguiu quando tinha 9 anos. O álbum significa muito para ele.

Eles começaram a trabalhar em 2025 e, em abril de 2026, mostraram o resultado a Jarre e sua equipe em Paris. David estava trabalhando nisso no ano passado porque queria fazer, não porque lhe pediram! Eles decidiram seguir em frente com o projeto em abril e Jean-Michel trabalhou com David e Steven Wilson. O trabalho de David é sutil; ele não usa o Atmos simplesmente porque está lá, mas como um meio de inserir a visão do artista em um som mais amplo. Ou seja: nem tudo vem de todas as direções. Isso proporciona uma experiência auditiva agradável. Jarre queria algo menos sutil, então essas devem ser as mixagens Atmos menos sutis de David, segundo ele.

A gravação em 8 canais não estava completa: o canto dos pássaros no final de “Oxygene Part 3” estava faltando. Eles obtiveram esses trechos da master estéreo original.

Também falaram sobre a mixagem estéreo, que obtiveram da fita master original, que não era reproduzida desde 1976. Eles receberam as fitas em perfeitas condições. Isso porque usaram óleo de baleia para preservação, o que impede a deterioração das fitas. O uso de óleo de baleia foi proibido no final dos anos 1970, por isso as novas masterizações podem apresentar problemas de deterioração. O LP e o CD comemorativos dos 50 anos são provavelmente, segundo David, o melhor lançamento da mixagem estéreo original. Logo após, houve uma segunda audição pra VIPs e imprensa.

“Ficou brilhante. O som estava caloroso, focado, nítido. Dava para ouvir tantos detalhes que não eram perceptíveis na mixagem original de anos atrás. Quase esqueci de respirar oxigênio”, disse Jarre.

Jean-Michel compartilhou nas redes sociais:

“Hoje, em Amsterdam, realizamos uma audição muito especial de OXYGENE em Dolby Atmos, pela primeira vez, com @davidkosten no @stmpdrecstudios 🌍 Obrigado a todos que se juntaram a nós!”

O último compromisso do Jarre no ADE, foi uma conversa com a DJ Dasha Rush, sobre a sua longa relação com os instrumentos Roland, o papel do hardware em toda a sua jornada criativa e o futuro da criação musical eletrônica.

Resumo do último dia de Jean-Michel Jarre no ADE:

“ADE Dia 3 ✅
E é isso, encerramos o @amsterdamdanceevent 2026! Um último dia de música e máquinas, desde uma reprodução imersiva de OXYGENE em Dolby Atmos no @stmpdrecstudios até uma conversa fascinante com @dasha_rush_official e @rolandglobal.
Que três dias em Amsterdam! 🚀“


Em entrevista concedida à Agence France-Presse, no âmbito do festival, Jarre falou sobre o uso que faz da IA ​​generativa em seu trabalho e sobre a importância de distinguir a ferramenta do uso que se pode fazer dela.

“Para mim, a IA é um pouco como quando comecei com os sintetizadores, momento em que, de repente, pude me tornar um luthier pela primeira vez na minha trajetória”, explica. Jean-Michel utiliza, entre outras coisas, a IA generativa como um “superassistente”, solicitando-lhe que encontre alternativas para melodias ou para certas “texturas”. Ele também a utiliza em suas criações visuais que acompanham seus concertos.

Meio século após o lançamento de Oxygene, Jean-Michel Jarre continua a receber a inovação tecnológica de braços abertos. Isso contrasta com as preocupações de muitos músicos em relação à IA, que dizem respeito, sobretudo, aos direitos autorais, à remuneração justa e ao controle criativo.

“O que importa é a ideia de que os artistas possam se expressar livremente. É preciso não confundir as coisas: quando falamos de IA, a tecnologia em si é neutra. A má-fé já existia antes da eletricidade e continuará existindo depois da IA”, afirma ele.

“Não acredito, de forma alguma, que o próximo Bad Bunny ou a próxima Billie Eilish (…) tenham qualquer motivo para temer uma tecnologia que está surgindo. O que confere originalidade a um artista é, justamente, a sua singularidade”, acrescenta.

Para ele o conservadorismo no mundo da arte diante dos avanços tecnológicos não é um fenômeno novo. Ele relembra, por exemplo, quando introduziu a música eletrônica na Ópera de Paris, em 1971 — um episódio que provocou a indignação de alguns músicos da orquestra, que chegaram a desconectar seus instrumentos em sinal de protesto. “É uma história sem fim; no fundo, temos medo daquilo que não conhecemos”, lamenta.

Para Jean-Michel Jarre, que vivenciou a revolução da música eletrônica e, posteriormente, a transição do analógico para o digital, a IA representa apenas uma nova virada, uma nova ferramenta que ele pode manipular como bem entender. “O que sempre me interessou na minha relação com a tecnologia é desviá-la de sua finalidade, hackeá-la — ou seja, criar acidentes”, continua ele, mencionando seu fascínio pelas “alucinações” produzidas pela IA.

“Daqui a uns vinte anos, consideraremos a década de 2020 como a era de ouro da IA”, afirma, traçando um paralelo com os primórdios do cinema — mudo e em preto e branco — cujas imperfeições deram origem a um estilo inconfundível.

Com sua nova turnê mundial “Oxygene & Beyond”, anunciada durante o ADE e com início previsto para setembro de 2027 na Polônia, o artista se reinventará, adaptando-se aos seus tempos. “Este concerto no ADE foi o último com esta produção, tanto visual quanto musicalmente, já que lançarei um novo álbum no início do próximo ano”, explica ele.

Fontes: Jean-Michel Jarre|Het Parool|France 24

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