APOIO PARA A CENA MUSICAL FRANCESA: JEAN-MICHEL JARRE DEFENDE CONCERTOS PAGOS ONLINE

“Faço muita campanha por shows pagos online”, disse Jean-Michel Jarre neste domingo, 24 de maio, no site franceinfo. O autor-compositor-intérprete defende a invenção de uma “nova cultura, uma nova economia alternativa à dos shows”. Junto com 142 artistas e atores do mundo cultural, o músico assina uma petição no “Journal du Dimanche” para apoiar a cena francesa, já amplamente afetada pela crise econômica causada pela pandemia do Coronavírus.

Entrevista para a franceinfo – França – 24/05/2020

Você pede à mídia para transmitir mais música francesa. Por quê?

“Nos últimos dois meses, todo o país está confinado. Fizemos duas coisas: sair para comer ou comprar remédios, e depois assistir filmes, ler e ouvir música. No entanto, se ainda fosse necessário provar isso, a música, como o resto dos setores culturais e modos de expressão, são bens essenciais. Porém, o setor cultural em geral, e o setor musical em particular, estão totalmente devastados. Todo o ecossistema da cena musical como artistas, autores, criadores e técnicos está em total paralisação. 50% das pequenas produções de concertos correm o risco de desaparecer em 2021. Por isso, é urgente que façamos algo e que essa solidariedade que sentimos em nosso país por mais de dois meses, também possa se aplicar à artistas e músicos em particular. Por um lado, pedimos que toda a mídia coloque os artistas franceses em primeiro lugar, como uma espécie de esforço pós-guerra, e, por outro lado, que possamos ter decisões claras sobre festivais e concertos o mais rápido possível. Isso, é claro, também se aplica aos nossos amigos do teatro e do cinema.”

Durante o confinamento, artistas como Christine and the Queens ou Alain Bouchon, fizeram shows online, e o SACEM anunciou que eles seriam pagos. É uma boa maneira de ajudar a indústria musical durante a pandemia?

“É claro! É um exemplo muito bom do SACEM, ou seja, ser capaz de levar em conta o fato de que a música não é como o ar que respiramos, e que devemos sair dessa atitude de que temos que considerar no fundo que a música é gratuita. Algumas pessoas são relutantes em pagar alguns euros por um álbum ou por um concerto por exemplo, enquanto as mesmas não hesitam em comprar uma camiseta ou um par de tênis por várias dezenas de euros. Então há algo que precisa ser reequilibrado. Vamos aproveitar essa crise para dar à música o respeito que ela merece.”

Você quer que os concertos pagos sejam realizados online?

“Absolutamente! Sou um grande defensor de shows pagos online. Percebemos que as grandes plataformas de Internet finalmente fizeram sua manteiga. Elas enriqueceram-se nas costas do Coronavírus, indiretamente, disseminando conteúdo criado por autores que estão lutando para se sobressair. Temos uma série de planos para o ano novo e isso é algo que estamos falando seriamente. Acho que seria necessário, de uma forma global, inventar uma nova cultura, uma nova alternativa à dos concertos onde nos encontramos fisicamente ombro a ombro. Mesmo que não haja nada melhor. Essa ideia de fazer shows na Internet é algo que pode funcionar. Não há razão para que não seja pago e que não recompensemos os artistas que nos dão alegria, e nos ajudam a viver essa resiliência de que precisaremos nos próximos meses.”

Emmanuel Macron anunciou medidas para a cultura, impostos mais baixos, uma extensão dos direitos dos trabalhadores intermitentes. Isso é suficiente ou devemos ir ainda mais longe?

“O único país cuja cultura o presidente incluiu em suas reflexões é a França, então ainda temos que colocar as coisas de volta no lugar. Infelizmente, existem países emergentes na África, na América do Sul, bem como muitos países cujo setor cultural ainda está em uma situação muito mais crítica do que a nossa. Acho que o Estado está fazendo o seu papel, mas ao mesmo tempo os artistas franceses precisam se mover. Devemos parar de ver o Estado como um Estado de bem-estar social, tendo uma atitude de assistência. Não é o caso de outros países europeus. Acho que cabe a nós sermos criativos também. Cabe a nós enviar uma mensagem clara como a que estamos enviando hoje.”

Fonte: francetvinfo.fr