CONCERTO NO LIBANO – JARRE FALA A IMPRENSA

foto estudio jarre
Jean-Michel Jarre acompanha sua nova música de um universo visual forte, original e muito contemporâneo. – Foto de Tom Sheehan

 

Músico francês Jean Michel Jarre foi entrevistado pelo jornal libanês ” L’Orient L’Jour”, no dia 29 de Julho, véspera de seu concerto no Templo de Baco, em Baalbeck.

Entrevistado por Olivier GASNIER DUPARC

P: Seu concerto de sábado, 30 de julho, em Baalbeck será totalmente diferente do show de 2010, nos souks de Beirute, a começar pelo ambiente. Você vai ajustar o show desta turnê para o lugar onde ela ocorre, ruínas romanas, enquanto todas as outras na área tenham sido destruídas pela guerra e barbárie de Daech?

JMJ: Minha produção atual é completamente nova. Eu queria criar um universo visualmente original e muito contemporâneo que acompanhasse a minha nova música e alguns clássicos que revisitei para a ocasião. Obviamente, em Baalbeck, nós temos o privilégio de nos apresentar em um local excepcional, e em respeito ao local e para dar o devido valor, modifiquei a nossa disposição cênica: vamos fazer sob medida. Como embaixador das Nações Unidas para a Unesco, estou extremamente empenhado em salvaguardar o patrimônio da humanidade.

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P:Nos anos 70, você escreveu a música para um show do mágico Dominique Webb. Você está trabalhando em músicas para um show de seu filho?

JMJ: Claro que, se meu filho me perguntar um dia para compor uma música, eu o farei com prazer – mas é preciso saber que ele próprio é um grande músico ….

P: Nenhum de seus filhos é da área musical, pondo assim fim a 3 gerações de músicos. Qual artista atual você vê como seu herdeiro?

JMJ: David é um grande músico – guitarrista, compositor e cantor, ele teve algum sucesso com sua antiga banda The Two. Hoje, ele se destaca mais como mágico, mas o DNA da família Jarre na música está vivo e passa bem. Para o projeto Electronica 1 & 2, tive a chance de trabalhar com uns trinta músicos da cena eletrônica de todas as gerações. Talvez, na nova geração, alguém que eu poderia considerar como meu filho espiritual seja Rone. Na semana passada, ele abriu a primeira parte do meu concerto nas Arenas de Bayonne, e todos imediatamente reconheceram o toque musical que nos une.

P: Você conhece a nova geração de músicos libaneses, representada, entre outros, por Ibrahim Maalouf, Bachar Mar Khalife, Mashrou’ Leila, etc.?

JMJ: Eu sou fã de Ibrahim Maalouf e de seu universo singular. Eu teria gostado de assistir na semana passada no festival des Vielles Charrues aqui na França… Ibrahim Maalouf tem imenso talento, além de suas raízes e sua formação sobretudo clássica, ele conseguiu combinar todos os gêneros em sua expressão única e, assim, ter um grande público… Além disso, temos um amor compartilhado por alguém que me comoveu muito jovem, a grande Umm Kulthum.

Bachar Mar Khalife é também um artista singular que eu aprecio muito. Ele também assinou com a gravadora InFiné, que conheço bem, porque é a casa de Rone ou Arandel.

P: De que material são as luvas que você usa para tocar a harpa laser?

JMJ: As luvas são feitas de algodão, com um tratamento especial de anti-calor.

P: Você colaborou com Natacha Atlas ao se apresentar no Egito. Há alguma influência da música árabe em seu trabalho? E em caso afirmativo, quais?

JMJ: Uma das minhas primeiras emoções musicais foi sem dúvida de ter assistido a um concerto da grande Umm Kulthum. Eu era tão jovem e saí apaixonado… Apaixonado por ela, por sua voz, por seu carisma e por sua música fascinante.

P: Você foi o autor ou colaborador das letras de muitas faixas… Com qual artista atual, além de Christophe, você gostaria de colaborar?

JMJ: Sim, e inclusive colaborei mais uma vez com Christopher no ano passado: ele chegou a cantar em uma faixa de Electronica 2, e eu escrevi a canção-título de seu novo álbum Vestiges du Chaos. Eu gosto muito de Christine & The Queens, ela fez um cover de Les Paradis Perdus. Ela me inspira… Stromae também.

P: Você colaborou com os franceses Gesaffestein e M83, com os ingleses Fuck Buttons, The Orb e Primal Scream… Muitos artistas que são artisticamente próximos, ou que já trabalharam com Andrew Weatherall, cuja poesia melancólica ecoam as emoções que você provoca, especialmente com Oxygene e Equinoxe. Alguma vez você já quis trabalhar com um produtor musical do exterior?

JMJ: Sim, penso frequentemente nisso quando inicio um novo projeto, mas conforme vou avançando no trabalho, percebo que gostaria de ir até o extremo das minhas ideias… Muitas vezes eu prometo procuram um cúmplice para compartilhar comigo a perspectiva sobre a produção – mas eu não me imponho isto, talvez algum dia…

P: Você trabalhou com Jeff Mills (membro fundador da Underground Resistance) que é, juntamente com Laurent Garnier, um dos padrinhos do techno mundial e, como o artista francês, experimenta outros campos de expressão além da música eletrônica. É possível haver uma colaboração com Laurent Garnier?

JMJ: Eu amo Lawrence, nossos caminhos se cruzaram mesmo há muitos anos… É claro que a cooperação no futuro é inteiramente possível.

P: Se você tivesse que manter somente um de seus instrumentos, qual seria?

JMJ: O VCS 3.

P: Pergunta-bônus: o que o há debaixo de sua cama?

JMJ: Meu rádio-relógio!

 

 

Link original: http://www.lorientlejour.com/article/998377/-dans-le-site-exceptionnel-de-bacchus-nous-allons-faire-du-sur-mesure-.html

Agradecimentos pela tradução Raphael Barbosa