Jarre fala sobre mãe, pai, turnê e NY

In Doors 2010

O músico francês Jean Michel Jarre, continua fazendo um tour promocional de divulgação para sua turnê “2010”. Vários jornais e rádios da França, Alemanha e outros países da Europa, tem entrevistado o artista.

No ultimo dia 17/12, na rádio francesa “Fou du roi”, ele declarou que tentará levar sua turnê mundial para 5 continentes. Mas não quis revelar outras datas além das europeias.

Ao jornal alemão Welt Online (http://www.welt.de/), na entrevista publicada dia 13/12, ele entrou em detalhes sobre sua infância e vida pessoal, seu difícil relacionamento com o pai Maurice Jarre e as dificuldades que sua mãe, France Pejot, teve para cria-lo.

Jarre disse que aos 5 anos, seu pai abandonou a família para trabalhar com trilha sonora nos Estados Unidos. Ele só viria o pai novamente quando completou 18 anos. Jarre disse que mesmo com encontros esporádicos com o pai, eles ainda permaneciam distantes no relacionamento pessoal. Sua mãe, foi a principal responsável pela sua educação. Segundo Jean Michel, eles não tinham dinheiro, pois o pai nunca mandava nada para eles. Sua mãe, ganhava uma pequena pensão do governo francês por ter sido membro da resistência, mas era muito pouco. Então ela passou a costurar para fora para reforçar o orçamento. Jarre disse que a máquina de tricotar da mãe ficava na cozinha da casa onde eles viviam e até hoje ele consegue lembrar do som, krk-krk-krk, que não consegue mais sair da cabeça dele. Ele disse que nunca pensou em usar este som em sua musica, pois foi uma época muito difícil da vida dele.

Na mesma entrevista, Jarre deu detalhes sobre a vida da mãe, como membro da resistência francesa. Segundo ele, seu avó materno era um homem sábio, e antes da guerra, em 1936, havia alertado as filhas sobre a ascensão de Hitler e o perigo que ele representava. Quando as previsões se comprovaram e a França caiu nas mãos da Alemanha Nazista, sua mãe se juntou a Resistência Francesa. A Cidade de Lyon, era repleta de túneis e ligações escondidas que atravessam a cidade. Não por coincidência, o centro sul da Resistência francesa contra os nazistas ficava em Lyon. Infelizmente ela foi presa e deportada para o campo de concentração de Ravensbrück, na Alemanha Nazista.

Ficou lá até a libertação pelos Aliados.

Jarre disse que quando criança, sua mãe o levava em um clube de jazz e restaurante em Paris, o “Le Chat Qui Pêche”. Lá ele escutava ao vivo, jazzistas como Coltrane, Archie Shepp, Don Cherry e Chet Baker. Desde o início, Jarre achou o Jazz uma música complexa, lembrando uma pintura abstrata, pois ambas não possuem mais de uma estrutura narrativa. Para ele, este primeiro contato com a música foi importante e isto foi uma diferença fundamental entre ele e os outros artistas eletrônicos da mesma geração, por que ele se aproximou da música de uma forma diferente da maioria das pessoas. Ele falou que gravou “Oxygène” e “Equinoxe” como uma pintura abstrata de artistas como Hans Hartung, Pierre Soulages e Jackson Pollock.

Jarre em N.Y. preparando alguma coisa...
Jarre em N.Y. preparando alguma coisa...

Para a revista francesa TV MAGAZINE, Jarre disse que tem trabalhado duro nos últimos meses, não só divulgado o show, gravando o novo álbum no estúdio, como também indo a China e a Nova Iorque para estudar novos lugares de shows, na qual a revista revelou que ele pretende fazer um show na icónica casa de espetáculos nova iorquina, Radio City Hall, com seus 70 instrumentos no palco. A cada dia, o boato de uma turnê americana cresce…

Jarre disse também que seu filho David Jarre é um grande mágico e que ele próprio tem ligação com a mágica, visto que trabalhou com Dominique Webb, nos anos 70. E nas férias, gosta de ficar reunido em família com a esposa, a atriz Anne Parillaud, que também tem trabalhado bastante.

FONTE: ZOOLOOK.NL/En attendant Jarre

Marcos Paulo

Fã Clube criado em 1997 nos primórdios da internet no Brasil. Buscamos sempre a realização de ao menos uma apresentação do Maestro Jean Michel Jarre em nosso país.